quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

Wanderley Elian


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Imperfeita (Poetrix)


Nem santo, nem certo
nem anjo, nem manso
quero demônios, quero hormônios.

Déa Vilanella

Wanderley Elian

sábado, 26 de dezembro de 2009

Estamos só de passagem




Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Supreendeu-se o turista.
- Mas eu estou aqui só de passagem!
- Eu também...concluiu o sábio.


A vida na Terra é só uma passagem...
No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente e se esquecem de ser felizes.


(desconheço o autor)


Fonte: Colaboração da minha
amiga Márcia.


Wanderley Elian





sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal





Deixa eu ver se o espírito do Natal já está na sua casa.
Não, não quero ver a árvore iluminada na sala, nem quero saber quanto você já gastou em presentes.
Quero, sim, sentir no ambiente a mensagem viva do aniversariante deste dezembro mágico: toda a família está unida? O perdão já eliminou aquelas desavenças que ocorrem no calor das nossas vidas?
"Não quero ver a sua despensa cheia, quero saber se você conseguiu doar alguma coisa do que lhe sobra, para quem tem tão pouco, às vezes nada.
"Não exiba os presentes que você já comprou, mesmo com sacrifício; quero ver aí dentro de você a preocupação com aqueles que esperam tão pouco, uma visita, um telefonema, uma carta, um e-mail...

"Quero ver o espírito do Natal entre pais que descobrem tempo para os filhos, em amigos que se reencontram e podem parar para conversar, no respeito do celular desligado no teatro, na gentileza de quem oferece o banco para o mais idoso, na paciência com os doentes, na mão que apóia o deficiente 
visual na travessia das ruas, no ombro amigo que se oferece para quem anda meio triste, perdido.


"Quero ver o espírito de Natal invadindo as ruas, respeitando os animais, a natureza que implora por cuidados tão simples, como 
não jogar o papel no chão, nem o lixo nos rios.

Não quero ver o Natal nas vitrines enfeitadas, no convite ao consumo, mas no enfeite que a bondade faz no rosto das pessoas generosas.
Por fim, mostre-me que o espírito do Natal entrou definitivamente na sua vida, através do abraço fraterno, da oração sentida, do prazer de andar sem drogas e sem bebidas, do riso franco, do desejo sincero de ser feliz e, de tão feliz,  não resistir ao desejo de fazer outras pessoas também felizes.
"Deixe o Natal invadir a sua alma, entre os perfumes da cozinha que vai se encher de comidas deliciosas, no cheiro da roupa nova que todos vão exibir, abrace-se à sua família e façam alguns minutos de silêncio, que será como uma oração do coração, que vai subir aos céus, e retornar com um presente eterno, duradouro: o suave perfume de Jesus, perfume de paz, amor, harmonia e a eterna esperança de que um dia todos os dias serão como os dias de Natal.
Feliz Natal para você e para os seus!"


(desconheço a autoria)


Wanderley Elian

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sem título




Se eu fosse uma flor
Seria um gerânio
Só pra rimar
Com alguma coisa.


Se eu fosse um carro
Seriaum Escort
Só para poder
Viver perigosamente


Se eu fosse feliz
Abriria um sorriso
Mas só depois
Que acordasse.


Neurastênico


Wanderley Elian


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estrada da vida



Conheço cada passo 
dessa estrada,
por ela passei acompanhado
pela solidão,
transcendi o tempo e
o espaço,
não chegando a lugar
algum.
Vi a vida se esvair em suspiros
por amores não 
correspondidos.
E agora na reta final.
retorno ao ponto de partida,
para pegar o sonho que ficou 
guardado em
algum lugar do 
passado...


Wanderley Elian

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Acho que estou envelhecendo




Não me lembro direito, mas li numa revista, acho que na Carta Capital, um artigo levantando a hipótese de que todo cara que tem mania de fazer aspas com os dedinhos quando faz uma ironia, é um chato.
Num outro artigo alguém escreveu que achava que jamais tinha conhecido um restaurante de boa comida com garçons vestidos de coletinho vermelho. Joaquim Ferreira dos Santos , em "O Globo", fala do seu profundo preconceito com que usa a expressão "agregar valor".
Eu posso jurar que toda mulher que anda permanentemente com uma garrafinha de água e fica mamando de segundo em segundo é uma chata.
São preconceitos, eu sei. Mas cada vez mais a vida está confirmando estas conclusões.
Um outro amigo meu jura que um dos maiores indíces de babaquice é usar o paletó nos ombros, sem os braços nas mangas. Por incrível que pareça, não consegui desmentir. Pode ser coincidência, mas até agora todo cara que eu me lembro de ter visto usando o poleto colocado sobre os ombros é muito babaca.
Já que estamos nessa onda, me responda uma coisa: você conhece algum natureba radical que tenha conversa agradável?
O sujeito ou sujeita que adora uma granola, só come coisas orgânicas, faz cara de nojo à simples menção da palavra "carne", fica falando o tempo todo em vida saudável é seu ideal como companhia numa madrugada. Sei lá, não sei.
Não consigo me lembrar de ninguém assim que tenha me despertado muita paixão.
Eu ando detestando certos vícios de linguagem, do tipo "chegar junto", "superar limites", essas bobagens que lembram papo de concorrente a big brother.
Mais uma ves repito: acho puro preconceito, idiossincrasia, mas essa rotulagem imediata é uma mania que a gente vai adquirindo pela vida e que pode explicar algumas antipatias gratuitas.
Tem gente que a gente não gosta logo de saída, sem saber direito por quê. Vai ver que transmite alguma sintonia da chatice.
Tom de voz de operador de telemarketing lendo o script na tela do computador e repetindo a cada cinco palavras a expressão "senhooorr", me irrita profundamente.
Se algum dia eu matar alguém,existe imensa possibilidade de ser um flanelinha.
Não posso ver um deles que o sangue sobe à cabeça. Deus que me perdoe, me livre e me guarde, mas tenho raiva menor do assaltante do que do cara que fica na frente do meu carro, fazendo gestos desesperdos tentando me ajudar em alguma manobra, como se tivesse comprado a rua e tivesse todo o direito de me cobrar pela vaga.
Sei que estou ficando velho e ranzinza, mas o que se há de fazer?
Não suporto especialista em motivação de pessoal que obrigue as pessoas a pagarem o mico de ficar segurando na mão do vizinho, com os olhos fechados e tentando receber "energia positiva". Aliás, tenho convicção de que a empresa que paga bons salários e tem uma boa e honesta política de pessoal não precisa contratar polestras de motivação para seus empregados. Eles se motivam com a grana no fim do mês e com a satisfação de trabalhar numa boa empresa.
Que me perdoe todos os palestrantes que estão ficando ricos percorrendo o país mas eu acho que esse negócio de trocar fluidos me lembra putaria..
E, para terminar: existe qualquer esperança de encontrar vida inteligente numa criatura que se despede mandando "um beijo no coração".


Lula Vieira (publicitário)

Wanderley Elian

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Da perfeição da vida




Por que prender a vida em conceitos e
normas?
O Belo e o Feio...O Bom e o Mau...Dor e Prazer...
Tudo, afinal são formas
E não degraus do ser!

Mario Quintana


Wanderley Elian








domingo, 20 de dezembro de 2009

Da perfeição da vida

Pensamentos luxuriosos


Pensava nele

quando a seda do vestido
tocou-lhe as coxas
eriçando os pêlos
(asas a roçar o espírito
tocha de incendiar a carne)

Pensava nele

quando a voz de Maria Callas
alcançou a nota mais aguda
-L'atra notte in fondo al mare
invocando Mefistofele.
(seta fálicas a zumbir aos ouvidos,
aromas de sândalo a embebedar os sentidos)

De tanto nele pensar
devorou a si própria
luxuriosamente
(espírito só carne)

Hilda Hilst

Wanderley Elian

sábado, 19 de dezembro de 2009

Meu amigo meu herói


Oh! Meu amigo, meu herói
Oh! Como dói saber que a ti também corrói
a dor da solidão
Oh, meu amado minha luz
Descansa a tua mão cansada sobre a minha
Sobre a minha mão
A força do universo não te deixará
O lume das estrelas te alumiará
Na casa do meu coração pequeno
No quarto do meu coração menino
No canto do meu coração espero
Agasalhar-te a ilusão
Oh! Meu amigo, meu herói
Oh! Como dói saber que a ti também corrói
a dor da solidão
Oh, meu amado minha luz
Descansa a tua mão cansada sobre a minha
Sobre a minha mão
A força do universo não te deixará
O lume das estrelas te alumiará
Na casa do meu coração pequeno
No quarto do meu coração menino
No canto do meu coração espero
Agasalhar-te a ilusão
Oh! Meu amigo, meu herói
Oh! Como dói
Oh! Como dói
Oh! Como dói

Gilberto Gil



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Chega de Violência



Blogagem coletiva
iniciativa do amigo Luiz do blog
Ausência Instável

Wanderley Elian

Provérbio árabe

Não diga tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredite em tudo que ouves
Não gaste tudo o que tens

Porque:
Quem diz tudo o que sabe
Quem faz tudo o que pode
Quem acredita em tudo o que ouve
Quem gasta tudo o que tem

Muitas vezes diz o que não vonvém
Faz o que não deve
Julga o que não vê
Gasta o que não tem

Wanderley Elian

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Esperança


No porão,
quardei meus
problemas,
minhas saudades,
minhas desilusões.
No sótão,
quardei a
esperança
pra que ficasse
acima de tudo
e eu continuasse
a viver.
Wanderley Elian

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Auto biografia de um coco


Nasci na copa de uma árvore robusta, que nascera num solo arenoso, numa longa faixa da costa. Lá do alto, como de uma atalaia, desfrutava de uma vista fantástica de tudo aquilo que me rodeava.
Era muito feliz e sentia-me orgulhoso de ser coco. Pensava que meu pai era maravilhoso, até que, ouvi alguns transeuntes dizerem mal dele e de toda a família. Se bem me recordo, um deles disse:'- Que calor este. Se ao menos este maldito coqueiro nos desse alguma sombra. Não posso, com os coqueiros. Tão rugosos, tão feios e disformes! Sem folhas nem flores e sem qualquer cheiro!'Isso fez com que me sentisse tão desgraçado que algo mudou bem dentro de mim. Como é que não vi tudo isto antes? Realmente eu era feio, quase disforme. Sentia-me envergonhado. Eu decidi que nunca mais deixaria fosse quem fosse ver a minha fealdade interior...
Comecei a construir ao redor de mim uma casca muito densa, dura e peluda, para proteger o meu interior dos olhares indiscretos. Além disso, nem dentro de mim havia algo de bom. Se alguém me tivesse visto por dentro, desprezar-me-ia e recusar-me-ia ainda mais. Por isso teci ao redor de mim uma capa de matéria áspera, peluda de cor parda, desagradável ao tato, para que ninguém se atrevesse a tocar-me. Mesmo não gostava que me tocassem nem acariciassem.
Ao cabo de algumas semanas, em que estive deprimido, meditando sobre minha desgraça e quase sem falar com meus irmãos e irmãs, fui, de repente, surpreendido por um impetuoso temporal. Todos éramos sacudidos violentamente. Horrorizado, agarrei-me ao meu pai, pois temia ser arrancado da árvore.
Tudo inútil, porém. Perdi o controle e senti que era atirado com veemência lá para baixo, caindo no escuro e no vazio. Fiquei aturdido ao bater no chão, magoado e dolorido com a pancada. Só e cheio de medo, pensei que a única coisa que me esperava era aguardar a morte. Sem dúvida que soara a minha hora... pensei quando um grupo daqueles odiosos transeuntes se aproximou de mim.
Mas que agradável surpresa foi para mim ouvir um deles dizer:
'- Olha que coco tão bonito! Realmente tivemos sorte!'
Não queria crer no que ouvira. Senti que pegavam em mim e me agitavam junto ao ouvido de um jovem. O nariz dele começou a cheirar-me e os seus lábios murmuravam, dirigindo-se diretamente a mim:
' - Que coco tão fresco, doce e saboroso tu deves ser! Alegro-me deveras ter te encontrado.'
O que?! Eu, fresco e doce?! Tinha de haver algum erro. Certamente que eu não passava de uma coisa estúpida, disforme, feia e insípida, que se contentava que a deixassem em paz.
O rapaz começou a tirar, com cuidado, os pelos ásperos e pardos, que eu fizera crescer à volta de mim para me proteger. Fê-lo com grande delicadeza como se não quisesse magoar-me. Pela primeira vez em muitos meses voltei-me a sentir feliz. E nem me dei conta de que o rapaz pegava numa grande pedra e começava a bater-me com muita força. Ia-me golpeando cada vez com mais força e energia. Gritando de dor, quis perguntar-lhe que procurava e pedir que parasse. Ela devia saber que dentro de mim apenas há fealdade. Que esperava encontrar debaixo da minha casca insensível e dura?
Uns segundos mais tarde, ouviu-se um forte estalido. Senti que me partiam em dois. Das minhas feridas começou a ressumar um suco. E, com surpresa minha, o rapaz e os amigos iam-no bebendo. Com os seus gestos de satisfação queria dizer que lhe estava a saber bem. Todos falavam da frescura e da doçura do meu suco.
A minha maior surpresa foi quando, depois de separarem as duas partes de minha casca, arrancaram algo do meu interior. Algo de imaculado. O meu interior era belo. E era evidente que o comiam com gosto.
' - Afinal, as pessoas gostam de mim!', exclamei comovido.
' - Não sou feio nem inútil. Rogo-lhes, por favor: comam-me! Comam-me todos! Que satisfação dar tanto prazer a pessoas que fizeram com que, finalmente, acreditasse em mim mesmo!'


Mensagem da parábola:
- descobrir as nossas riquezas interiores;
- ter estima por si mesmo;
- por que razão temos de nós uma imagem negativa;

Idéias e aplicações:
- temos tesouros internos ocultos atrás de um exterior áspero;
- o melhor presente que podemos dar aos outros é a nossa " incondicional" aceitação dos mesmos;
-não deixamo-nos moldar por modelos alheios, como a sociedade e as influências exteriores;
- se acharmos que os outros não acreditam em nós, também não acreditaremos
- se recusarmos a nós mesmos, como queremos que os outros nos aceitem?

(Fonte: Salvatorianos)

Wanderley Elian

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vem comigo


Eu sou um todo,
com meus erros e acertos.
Não crie espectativa
pois posso
decepcionar-te.
Não quero sonhar os
teus sonhos,
não posso
planejar os teus planos.
Preciso ser eu.
Se quiseres vir comigo,
vou gostar,
mas como um
complemento, nunca
como minha metade.
Eu sou um todo,
com meus sonhos e
meus planos.

Wanderley Elian



domingo, 13 de dezembro de 2009

Silêncio



O silêncio é o vazio do tempo de nossa alma
A glória máxima da escuta
É quando a lágrima é mais salgada
E o tudo passa a ser nada
Mas nada não é tudo
Sem a escultura do ato.

Roberto Passos do Amaral Pereira

sábado, 12 de dezembro de 2009

Pensamento


"Pensamos demasiadamente.
Sentimos pouco.
Necessitamos mais de humildade
que de máquinas.
Mais bondade e ternura
que de inteligência.
Sem isso,
a vida se tornará violenta e
tudo se perderá."

Charles Chaplin

Wanderley Elian

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Poema sem rima



Não vou rimar
amor com
dor,
felicidade com
saudade,
luar com mar.
Quero um poema
sem rima,
sem métrica,
complexo,
sem nexo,
reflexo do que
está aí.
E se você achar
que não tem
essência,
paciência...

Wanderley Elian

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O que é paixão


Um sentimento muito especial. Contraditório, eterno enquanto dure, forte e frágil.
A paixão simplesmente acontece! E nos deixa vulneráveis e indefesos.

Os cientistas a descrevem como uma descarga bioquímica que transporta no interior de nosso ser um misto de adrenalina e outras substâncias secretas, que produzem uma confusão inebriante e nos deixa embriagados de amor.

Sentimos uma sensação maravilhosa, a felicidade fica explícita e nos transpõe, o mundo se transforma num colorido especial e tudo parece possível e alcançável.

As variáveis são enormes, possibilitando ainda alusão a caprichos do inconsciente, que buscam na paixão a realização de um desejo não realizado, uma situação desconhecida, evocada num passado distante e, muitas vezes, negado, não importando como, o sentimento é único.

Com aspectos positivos como durante o torpor da visão de um mundo maravilhoso, a sensação de felicidade nos invade e parece realmente não ter fim.

Se for a pessoa que fará de sua vida um sonho, é como tirar a sorte grande, buscando a intimidade ideal no desabrochar do verdadeiro amor.

Os aspectos negativos aparecem quando, ao findar da mágica, só resta a sensação de um sentimento que não se renova, no momento que temos a exata medida do resultado zero e da verdade do amor cego, que era muito bonito, mas que, quando se torna real, não consegue vislumbrar nenhum atrativo.

A recuperação muitas vezes, é uma das mais perversas e pode necessitar até de acompanhamento psicológico para salvar o que ficou.

O amor se transforma e precisa de cuidados para que o sentimento seja sempre resgatado e possa manter o relacionamento como uma síntese de desejo e afeição.

A paixão, ao contrário do amor, dura intensamente por um tempo muito curto e a estabilização no amor acontece na medida em que os amantes passam a ter uma visão real da verdade do outro.

A maturidade do envolvimento afetivo consegue suportar a frustração de não conseguir ver no outro aquela perfeição ambulante.

A dificuldade a ser superada se dá quando este sentimento não consegue se reorganizar e o ajuste de um novo relacionamento terá que contar com a realidade mascarada.

Todos nós queremos viver um grande amor e com uma paixão ainda melhor, nem que seja uma única vez..

Valiosos os relacionamentos que, de uma grande paixão, vão caminhando, lentamente se solidificando, sem a dimensão conquista e nem sentimento furacão, mas sólidos e intensos, que como diluindo a paixão a tornam eterna.

Fonte:
Palavras de Condão
Yasmim

Wanderley Elian

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