quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Insanidade



Arrastei todos os
móveis,
quebrei todas as
louças,
tenho medo do silêncio.
A noite os fantasmas
aparecem
como juizes de minha
consciência,
não me deixando
dormir,
vasculhei todos
os porões do meu
passado,
e não encontrei
nada.
Acho que
enlouqueci.

Wanderley Elian

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pérolas da Índia



"Numa antiga floresta indiana, um vaga-lume voava feliz e livre. O pequeno inseto estava tão distraído com a paisagem que não percebeu que estava sendo seguido por uma serpente venenosa. De repente, o vaga-lume se deu conta do perigo, tentou fugir, mas a serpente o encurralou. O inseto reluzente então parou de se movimentar, deu meia-volta, encarou a serpente e perguntou:
- Você vai me comer?
A serpente se aproximou um pouco mais e respondeu:
- Vou!
- Mas isso não faz sentido! Serpente comendo vaga-lume!? Tem certeza que vai me comer? - perguntou novamente o vaga-lume.
A serpente deslizou lentamente em direção ao inseto e respondeu:
- Tenho certeza absoluta!
- Então, antes de morrer, posso lhe fazer três perguntas? - solicitou o vaga-lume.
- Pode. Vai morrer mesmo... respondeu a serpente agitando o seu chocalho na extremidade da calda.
- Primeira pergunta. Faço parte da sua cadeia alimentar?
A serpente levantou seu corpo na altura do vaga-lume e respondeu:
- Não!
- Segunda pergunta.
Eu lhe fiz algum mal?
A serpente inclinou-se até quase tocar as antenas do inseto e respondeu:
Não!
- Terceira e última pergunta. Então por que você quer me comer?
A serpente, já sentindo o corpo do vaga-lume com a língua, respondeu:
- Porque não suporto o seu brilho!
E o devorou.

Extraído do livro "As 14 Pérolas
da Índia", de Ilan Brenman

Wanderley Elian

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Liberdade



A porta da gaiola ficou
aberta e ele
não fugiu,
acostumou com a
porção de alpiste
e a gota d'água
que lhe davam
todos os dias,
pensava que o mundo
era só isto
e não sabia
o que fazer
com a liberdade,
preferiu não ariscar.
Voltou pro poleiro
e entoou
um canto triste.

Wanderley Elian

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Esperança



Eu iluminava
meu caminho
com o brilho
de teus olhos,
tua voz era
o meu canto,
tua lágrima
o meu pranto,
teu sorriso
minha alegria.
E agora vivendo
de lembranças
meu coração
envolto em agonia
guarda a suave
esperança
de ver você
voltar
um dia.

Wanderley Elian

domingo, 8 de novembro de 2009

Humor

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Wanderley Elian



sábado, 7 de novembro de 2009

Solidão




Eu vi a solidão de tão perto
que ela se fez palpável.
Senti seu cheiro,
provei seu gosto,
enxerguei sua cor.
Eu vi a solidão de tão perto
que ela se fez amiga
e eu fiquei menos só.

Wanderley Elian

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Alma em chamas


O ventre da terra
pariu lavas
incandescentes
que correram em
suas vias
como sangue contaminado.
Quando quis chorar
as lágrimas
haviam secado.
Quando quis voltar
não lembrava
mais o caminho,
então,
assentou, e esperou
o mundo acabar
lamentando a
vida que
não teve.

Wanderley Elian

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Abandono


Ela disse não.
Ele se sentiu
um chinelo velho
abandonado em um
canto,
ninguém reparou nele,
seu olhos
ficaram tristes
e suas mãos tremiam,
abriu a porta
e saiu em passos
lentos
caminhando a esmo,
quando dobrou a esquina
não olhou para trás,
tinha verganha
que lhe vissem
chorando...

Wanderley Elian

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pecado




Não quero pensar
no amanhã
pois não sei
se virá,
não quero pensar
no passado
pois nada posso
fazer,
quero viver
intensamente
cada minuto,
cada segundo
cada momento,
quero pecar contra
a castidade
estar pro que der
e vier,
e se não vier
nem der
pelo menos tentei.

Wanderley Elian

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Amor Platônico. Quem nunca teve um?


Atire a primeira pedra quem nunca teve um amor platônico. Primeiro, vamos a definição. Amor platônico é aquele que nunca se concretiza, que fica apenas na idéia. "Platônico" vem de Platão, justamente porque o filósofo grego acreditava na existência de dois mundos: o das idéias, onde tudo seria perfeito e eterno e o mundo real, finito e imperfeito, uma cópia mal-acabada do mundo ideal.

A INTERNET remete a esse mundo ideal citado por Platão, onde tudo pode ser perfeito, com a Internet o acesso ficou mais fácil, mais rápido e mais seguro. Inclusive por parte dos adolescentes que, em muitos casos, passam anos esperando pela realização de um amor idealizado numa fase normal da vida, de amadurecimento afetivo e de busca de inserção, quando se apaixonam por um professor ou por um artista.

O amor platônico revela uma dose de imaturidade emocional, à medida que nunca experimenta os limites e as frustrações de uma relação concreta. Psiquicamente, ele reproduz o amor infantil pelos pais, vistos como figuras perfeitas e supervalorizadas. O amor platônico é sempre casto. Como toda experiência amorosa, ele também pode servir ao auto-conhecimento já que estimula a reflexão sobre os motivos que impedem a pessoa de ter uma relação madura consigo mesma e com o outro. Em muitos casos, os adolescentes passam anos esperando pela realização de um amor idealizado. É a fase de amadurecimento afetivo, quando se apaixonam por um professor ou artista.

Para que sejamos capazes de dar amor, é preciso amar a si mesmo. É importante a experiência do estar apaixonado. Nada como conviver com alguém de quem gostamos, mesmo que seja para tentar se tornar uma pessoa melhor: menos egoísta, mais tolerante, mais generoso. Amar é fazer pequenas concessões em nome de algo maior.

O amor platônico e as mulheres

Normalmente, o amor platônico está envolvido com o MEDO de descobrir as imperfeições. Ou pior, o medo de nem haver a possibilidade de descobrirmos tais imperfeições. O problema é que sonhamos e sonhamos demais. Por exemplo, aos 20 anos, sonhamos com o ídolo pop, um professor e, aos 40 anos, o objeto do amor platônico é uma fantasia, um ideal de relacionamento, um ideal de "homem"; ou até mesmo uma pessoa "proibida" como o marido da melhor amiga, o cunhado...

Muitas vezes, o amor platônico acaba por nos incapacitar de criar elos possíveis de relacionamento já que ele nos "protege", a gente pode se esconder por trás dele, sim pode ser sinal de auto-estima baixa, falta de confiança, insegurança.

O amor platônico revela uma dose de imaturidade emocional, à medida que nunca experimenta os limites e as frustrações de uma relação concreta. Algumas vezes pode ser "fuga da realidade" uma proteção para o "não sofrimento" a não exposição, não correr riscos...

Às vezes confundimos um "amor ideal" com "amor platônico". O amor ideal é aquele que idealizamos, é o amor romântico. Esse tipo de amor pode evoluir para o "platônico". Quando esse tipo de sentimento vira obsessão, quando não se pensa em outra coisa ou quando se abre mão de um relacionamento real ou quando não se cogita outras possibilidades e fica-se restrito a este universo, é preciso buscar ajuda. Por mais difícil e até complicada que seja a realidade é nela que nos relacionamos. É na realidade que vivemos e é nela que precisamos aprender a nos relacionar.

Fonte: Katia Cristina Horpaczky - Psicóloga


Wanderley Elian

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Inóspita paisagem





Foi numa tarde assim. O vento soluçava
Agoirando do inverno a lúgubre hospedagem
No céu pálido, branco, há muito não rodava
Do sol a luminosa e rútila equipagem.
A derradeira flor, no jardim desfolhava
Suas pétalas. Era inóspita a paisagem
Em tudo uma tristeza imorredoura errava
Meu Deus! Que dolorosa e tristonha miragem!
E eu, sonhando, revia em meu dourado sonho,
O meu viver tranqüilo, o meu viver risonho,
Tento junto de mim o teu amor calmo e terno.
Reinava um frio intenso...e tu partiste, envolto
Num último sorriso a murmurar "eu volto"
E não voltaste mais! Voltou somente o inverno...



Yde S. Blumenschein



Wanderley Elian

domingo, 1 de novembro de 2009

Humor





"Todo homem tem a fantasia de fazer sexo com
duas mulheres ao mesmo tempo. As mulheres
deveriam gostar da idéia. Pelo menos teriam com
quem conversar depois que ele pegasse no sono."


Wanderley Elian

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