quarta-feira, 6 de maio de 2015

Reflexão


O caixão de defunto - que obviamente contem alguém vivo,
é a Couraça Muscular do caráter, isto é:
Toda a força que a pessoa faz a fim de
NÃO FAZER aquilo que deseja
aquilo de que gosta
aquilo de que precisa.
As pessoas vivem duras - encolhidas ou orgulhosas, mas duras
de medo - de fazer o que lhes passa pelas cabeças
de raiva - de NÃO fazer  o que lhes passa pelas cabeças
medo dos outros
raiva dos outros
que não deixam.

José Angelo Gaiarsa

Wanderley Elian




quarta-feira, 15 de abril de 2015

quarta-feira, 25 de março de 2015

Arte do Chá




Ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo.
Ele veio
meio a esmo,
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo.

Paulo Leminski

Wanderley Elian

quinta-feira, 12 de março de 2015

Chapeuzinho vermelho.



Sentindo em seu sangue o tumultuar ardente dos ginetes impávidos de sua configuração cósmica, estrelas maduras de sua juventude, Chapeuzinho Vermelho tentava atravessar a Floresta agreste onde uma rosa é uma rosa é uma rosa , onde as árvores eram ao mesmo tempo como frutos de amor da terra pelo vento e pelo sol e uma obstinação da natureza contra o homem, quando viu surgir à sua frente a figura contrastante e terrificadora do Lobo Mau, que lhe perguntou aonde se dirigia. 

-"Ah"- disse o Lobo - "que maravilha és e que maravilha que fosses minha namorada. Porque o maravilhoso, quando se encontra o Ser que se Ama, a Enamorada distante, e os dois ficarem calados, nada dizendo, ela sabendo que naquele silêncio está sendo mais amada que nunca, tornando-se mais linda em seu quieto silêncio."
E, assim, envolvida pelo som dessa voz, Chapeuzinho Vermelho prossegue seu caminho, chega à casa da sua avó e, na surpresa de encontrá-la acordada, pergunta por quê. Ah, o porquê da insônia. Neurastenia Noturna. Agonia do Cérebro. "Minha avó"- pergunta Chapeuzinho - "por que tens orelhas tão grandes?" "Ah, filha, isso é para ouvir o ouvido e o som do teu som. Quando tiveres ido há muito, inda te sentirei junto a mim." "Vó, e por que esses olhos tão grandes?" "Ah, filha, é para a contemplação da Beleza, a Beleza de todos os dias, a luz das estrelas que vivemos perdendo."
-"Vó, e para que esses dentes tão grandes?"- "Ah, filha, acredito no Amor, pássaros, ondas, céus, palavras claras e também confusas. Acredito que o amor é um manjar do céu, que a criatura amada é o único alimento do coração, e por isso tenho esses dentes tão grandes: porque és o meu amor."
Quando ele e ela se tornaram uma só pessoa, então a vida começou e não haverá mais Fim, pois não pode haver Fim quando duas pessoas estão juntas, uma dentro da outra.

Millôr Fernandes

Wanderley Elian

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

para_doxo (poetrix)


O homem explodia desejo
A mulher    transbordava
carinho
Juntos iam sozinhos.

Fábio Rocha

Wanderley Elian

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O mosquito e o touro


Um mosquito que estava voando, a zunir envolta da cabeça de um Touro, depois de um longo tempo, pousou em seu chifre, e pedindo perdão pelo incômodo que supostamente lhe causava, disse: “Mas, se meu peso incomoda o senhor, por favor, é só dizer e eu irei imediatamente embora!”. Ao que lhe respondeu o Touro: “Oh, nenhum incômodo há para mim”! Tanto faz você ir ou ficar, e, para falar a verdade, nem sabia que você estava em meu chifre. 

Esopo

Moral da História
Quanto menor a mente, maior a presunção.


Wanderley Elian

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Amizade


" A amizade é uma predisposição recíproca que torna
dois seres igualmente ciosos da felicidade, um do outro"

Platão

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Então é natal ...


Que o verdadeiro espírito do Natal esteja presente em nossos corações, todos os dias do ano.
Feliz Natal, a todos os amigos e amigas e respectivas famílias

Beijos
Wanderley Elian

( Voltarei após 16/01/2015)




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

BH 117 anos - Amo muito



Dia 12/12 BH completou 117 anos. Uma cidade que, como as outras, tem qualidades e defeitos, na minha opinião, mais qualidades.  Vivo em perfeita sintonia com ela, e nunca irei deixá-la.
Para quem não conhece, um pequeno vídeo como amostra.



Wanderley Elian

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Por um triz


penso nos instantes
de paixão líquida

como se morresse
um pouco a cada suspiro

como se deixasse
a vida de vez em quando
tatuada de minha dimensão proibida

penso nessa paixão
de amantes trepantes

como se existíssemos
apena na velocidade

como se estivéssemos
por um triz

Jonas Pinheiro de Araújo

Wanderley Elian

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Al dente (poetrix)




Não há futuro ao ponto 
Quando o presente 
É mal passado

Marilda Confortin 

Wanderley Elian


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Desafio do Marcos



Atendendo ao desafio do meu amigo Marcos Campos, vai aí um exercício de memória sobre a minha infância.

1- Quais eram suas  quatro brincadeiras preferidas em sua infância?
Finca


Jogo de 2 participantes - Atira-se um estilete (feito de pedaço de madeira e ferro afiado na ponta, ou qualquer coisa pontiagudo como uma chave de fenda), no chão em um ponto determinado. O jogo se inicia fazendo-se dois triângulos um de cada lado em barro firme ou areia da praia (de preferência após chuva). Objetivo do jogo é jogar fincando no chão, alternando vezes, tentando dar a volta no triângulo do adversário e voltar ao seu triângulo . Ao fincar no chão, o jogador faz um risco de finco a finco ligando pontos, direcionando as linhas quebradas até que um consiga fechar, ou melhor ligar o seu lance ao ponto de partida. Observação: não pode fincar em cima da linha do outro ou passar por cima dela

Pipas


Feitas pelo meu pai

Rouba bandeira


Em Rouba-Bandeira, as equipes devem se empenhar em atravessar o território do time oponente, com cuidado, para tentar pegar a bandeira que está lá

Passar anel




crianças se colocam em fila, lado a lado, sentadas ou em pé, com as mãos unidas. Uma delas é escolhida para passar o anel que está entre as mãos da criança. 

Inicia-se o jogo com a criança que está com o anel, passando de uma em uma das crianças, tentando deixar o anel por entre mãos unidas: "Tome este anelzinho e não diga nada a ninguém". 

Após ir em todas as crianças, ela já deverá ter deixado o anel com uma delas. Após isso, a criança que estava com o anel e que o passou a outra, pergunta a qualquer uma das crianças, menos àquela que esta com o anel: Com quem você acha que está o anel? Se a criança escolhida acertar, deverá pagar uma prenda. 

O anel pode ser substituído por uma pedrinha



2- Quais foram seus quatro filmes preferidos em sua infância?.

As aventuras de Rin Tin Tin


Marcelino Pão e Vinho


A Dama e o Vagabundo


Peter Pan


3 - Qual era o medo que você tinha quando criança?
      Medo de sapo, aliás, tenho até hoje.

4 - Qual era o seu desejo de consumo?
      Ganhar uma bicicleta. Acabei ganhando, porém usada. Carrego esse trauma, tudo meu era
       herdado do meu irmão mais velho.

5 - Qual era seu personagem infantil favorito?


6 -  Comparando as crianças daquela época com as atuais, em seu ponto de vista, qual o ponto
       positivo e negativo?
       A educação era mais rígida, havia espaço para as brincadeiras e a infância durava mais 
       tempo.
       Hoje a nova pedagogia prega uma educação mais liberal, formando crianças sem limites.
      
      

7 - Lincar a pessoa que indicou esse questionário.

8 - Postar uma foto de infância

Eu e meu irmão mais velho




9 - Mandar este questionário para quatro blogueiros e avisá-los para responderem, caso queiram.
Vou deixar de livre opção, Aqueles amigos desse blog que quiserem, fiquem à vontade para
entrarem na brincadeira.

Wanderley Elian

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Coragem




O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem

João Guimarães Rosa

Wanderley Elian



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Hora e lugar



Nosso amor foi um tormento
mas eu queria voltar
com você o sofrimento
era fácil de aguentar
até mesmo o fingimento
tinha lá o seu lugar
Mas sem você é um despeito
eu não me entendo direito
saio da terra e do ar
Nosso amor foi um deserto
mas tinha tudo pra dar
faltou apenas dar certo
questão de hora e lugar
A razão me trouxe embora
mas eu queria ficar
a paixão que me devora
sei que ela vai me matar
A vida vai lá fora
preciso de respirar
mas sem você é um sufoco
eu não me mato por pouco
ando fugindo do azar
Nosso amor passou por perto
tava tão fácil de achar
só faltou ser descoberto
questão de hora e lugar

Cacaso

Wanderley Elian

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A felicidade vem da monotonia



Em sua essência a vida é monótona. A felicidade consiste pois numa adaptação razoavelmente exacta à monotonia da vida. Tornarmo-nos monótonos é tornarmo-nos iguais à vida; é, em suma, viver plenamente. E viver plenamente é ser feliz. 
Os ilógicos doentes riem - de mau grado, no fundo - da felicidade burguesa, da monotonia da vida do burguês que vive em regularidade quotidiana e, da mulher dele que se entretém no arranjo da casa e se distrai nas minúcias de cuidar dos filhos e fala dos vizinhos e dos conhecidos. Isto, porém, é que é a felicidade. 
Parece, a princípio, que as cousas novas é que devem dar prazer ao espírito; mas as cousas novas são poucas e cada uma delas é nova só uma vez. Depois, a sensibilidade é limitada, e não vibra indefinidamente. Um excesso de cousas novas acabará por cansar, porque não há sensibilidade para acompanhar os estímulos dela. 
Conformar-se com a monotonia é achar tudo novo sempre. A visão burguesa da vida é a visão científica; porque, com efeito, tudo é sempre novo, e antes de este hoje nunca houve este hoje. 
É claro que ele não diria nada disto. Às minhas observações, limita-se a sorrir; e é o seu sorriso que me traz, pormenorizadas, as considerações que deixo escritas, por meditação dos pósteros.

Fernando Pessoa

Wanderley Elian




quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O julgamento (poetrix)



diante dos meus pecados
sou promotor, juiz e advogado:
em paz, pronuncio meu veredicto

Goulart Gomes

Wanderley Elian

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Poema das eleições



"É fácil entender o que está acontecendo na campanha eleitoral. O PMDB apoia Dilma, dá a ela seu tempo de TV, mas o mesmo PMDB apoia Aécio e dá a ele seus principais diretórios estaduais. O PSD apoia Dilma e dá a ela seu tempo de TV, mas apoia também o peemedebista Skaf em São Paulo, continua ligado a José Serra e a quem mais aparecer procurando apoio e tendo algo (de interesse público, claro) a oferecer em troca. O PSB, que se apresenta como alternativa a PT e PSDB, apoia o PT no Rio e o PSDB em São Paulo, tem candidato próprio em Minas mas quem o apoia é só uma ala do partido, que a outra, a de Marina, não se mistura. O PP é Dilma, mas não no Rio nem no Rio Grande do Sul, onde é Aécio. Dilma, que carrega consigo Collor, Maluf e Sarney, ataca a oposição por representar o passado. A turma tucana do cartel do Metrô e dos trens metropolitanos critica o PT pelo Mensalão e pela ladroeira em geral. Eduardo achou que, aliando-se a Marina, ganharia os votos dela; Marina achou que, aliando-se a Eduardo, se beneficiaria de sua famosa habilidade política. Pois juntou-se a votação de Eduardo com a habilidade política de Marina e deu no que não deu.
Como diria o poeta, Dilma amava Collor que amava o PTB que ama Aécio que ama até o Zé Serra, desde que lhe traga votos. Eduardo Campos amou Marina que só ama o verde mas não amou apoiá-lo só pelo verde de seus olhos. Marina e Eduardo amavam Lula mas não amam Dilma que ama o Valdemar Costa Neto, ama Kassab, que a todos ama, e todos amam Lula que só ama a si mesmo." 

Carlos Brickmann

Wanderley Elian

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mulher da vida




Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.’

Cora Coralina

Wanderley Elian
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