segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Teu abraço


quanto abraços
serão preciso, camarada
pra fazer insurgir
nestas terras novecentos
e nove amores
de vida liberta, de amantes
de certezas utópicas
de bem querer
eu ainda não sei
ainda
espero apenas
que teu abraço não me falte
nunca.

Jonas Pinheiro de Araújo

Wanderley Elian

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Saudade


Tanta coisa pra se fazer
e eu aqui escorrendo saudades
a chapa quente
a chapa quente da rua
espera nervosa pra fritar a gente
com ovo, sinal e resto de borracha
tanta coisa pra se dizer
e eu aqui escondendo saudades

Luiz Muller

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fila indiana


Para mim os homens caminham pela face da Terra em fina indiana.
Cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
Na sacola da frente, nós, colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos.
Por isso durante a jornada da vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos,
presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro
que está adiante, todos os defeitos que ele possui.
E nos julgamos melhores que eles,
sem percebe que a pessoa andando atrás de nós
está pensando a mesma coisa a nosso respeito.
Mude, ainda dá tempo,e não esqueça...

Gilberto de Nucci

Wanderley Elian

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Débil estratégia




Ela recebia flores e

cartões toda

semana.

O marido matou-a,

mesmo sabendo que

era ela que fazia as

encomendas na floricultura.

Preferiu matá-la, a

saber que alguém a

achava importante,mesmo que fosse ela

mesma.

Ana Mello

Wanderley Elian

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Família


"No princípio era o caos. Depois, surgiram as algas, as plantas, os peixes, os anfíbios, os répteis, os batráquios, os mamíferos e finalmente os seres humanos. Estes viviam de início em hordas, depois separaram-se em grupos, organizaram-se em países, estabeleceram regras de conduta, criaram instituições e finalmente inventaram a vida em família - quer dizer, voltaram ao caos."

Bernardo Jablonski

Wanderley Elian

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Das catacumbas


Frequentemente confundimos fé com amor. Teoria e páxis. Achamos que vamos atingir os nossos objetivos apenas porque cremos. Caímos no círculo dos milagres. Na fase onde a evocação constitui a nossa unica ação. Aguardamos que os deuses solucionem os nossos problemas, Olhamos para o céu como se quizéssemos forçá-los  a descer à terra. E nos perturbamos quando percebemos a enorme distância entre o céu e a terra. Entre o que cremos e o que fazemos. O que queremos e o que decidimos.O que propomos e o que arriscamos...

Frei Beto

Wanderley Elian

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Prometo ser fiel




─ Oi, amor.
─ Eu
─ Pode falar, ele não tá aqui.
─ Te recebo
─ O imbecil? Foi prum casamento de um amigo.
─ Como meu legítimo esposo
─ É, ele ainda acredita nessas coisas.
─ E prometo ser fiel
─ Eu deixei de acreditar já no segundo mês.
─ Na alegria
─ Depois que conheci você.
─ E na tristeza
─ Ou, em outras palavras, depois que descobri a felicidade.
─ Na saúde
─ Não, o traste tá muito mal, mas insiste em sobreviver.
─ E na doença
─ Rezo todos os dias praquele fígado podre se corroer na cirrose de vez.
─ Amando-te
─ Corno cachaceiro desgraçado!
─ E respeitando-te
─ Não, hoje não dá. Depois do casamento ele volta. O infeliz sempre volta.
─ Todos os dias
─ Mas esse sofrimento logo vai acabar.
─ Da minha vida
─ E aí finalmente eu vou poder ser feliz de verdade junto com você. Até o fim da minha vida. Eu prometo.




David Anderson

Wanderley Elian

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cama


Quando me deito na cama,
Minha esperança é uma só...,
dormir pra caralho!!!
Se não der,
Relaxo,
e gozo.
Quem tem pressa é abestalhado,
come cru...
Ainda vou jogar esse "r"
no buraco do tatu.

Passaro Fogoso

Wanderley Elian









segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cachaça da boa


Em Minas tem tanta cachaça da boa, que resolvei levar 10 garrafas para casa. Lá chegando a marida me obrigou a jogar tudo fora.
- Peguei a primeira garrafa, bebi um copo e joguei o resto na pia.
- Peguei a segunda garrafa, bebi outro copo e joguei o copo na pia
- Peguei a terceira garrafa, bebi o resto e joguei o copo na pia.
- Peguei a quarta garrafa,bebi na pia e joguei o resto no copo.
- Peguei o quinto copo, joguei a rolha na pia e bebi a garrafa.
- Peguei a sexta pia, bebi a garrafa e joguei o copo no resto.
- A sétima garrafa eu peguei no resto e bebi a pia
- Peguei no copo, bebi no resto e joguei a pia na oitava garrafa.
-Joguei a nona pia no copo,  peguei a garrafa e bebi o resto.
- O décimo copo, eu peguei a garrafa no resto e me joguei na pia.
Não me lembro o que fiz com a marida.

Adaptado - (desconheço o autor)

Wanderley elian


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O martelo


As rodas rangem na curva dos trilhos
Inexoravelmente.
Mas eu salvei do meu naufrágio
os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em 
todas as casas que habitei.
dentro da noite
No cerne da cidade
me sinto protegido.
Do jardim do convento
vem o pio da coruja.
Doce como um arrulho de pomba.
Sei que amanhã quando acordar
ouvirei o martelo do ferreiro
bater corajoso o seu cântico de certeza.

Manuel Bandeira

Wanderley Elian

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite


Como crateras escavadas na noite densa para os restos de sua alma vazia, assim eram os olhos de Zulmira. Não via nos becos sórdidos a decadência das gentes, mas uma potencialidade para o inesperado e o fatídico.
Ela zombava do tempo e do ser. Nas tempestades da carne e no redemoinho da embriaguez delirante encapsulava antídotos e panacéias para os breves dias de amarga lucidez.
Em outros palcos, novos atores, velhos canastrões, máscaras partidas no relance nos braços e abraços enclausurados na inconsistência da troca.  Nada de afetos afoitos ou sinceras desculpas.
Gente se parte ao meio - dizia - como quem rasga uma antiga fotografia para segregar memórias. Zulmira, a dama da noite,  rompia a escuridão tateando na atmosfera onírica do seu próprio destino encrostado nas pedras das ruas.
Zulmira, por trás da fumaça, imprimia no ar, um sorriso ácido como o blues que brilhava na superfície negra do vinil.

Sérgio Araújo

Wanderley Elian

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vento vadio


Às vezes vem um vento
e levanta a aba do pensamento
jogando o meu chapéu
pra lá da possibilidade

Chacal

Wanderley elian
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